sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Bruxelas

Manneken Pis: o grande símbolo da Bélgica é uma estátua de um menino mijando.

Bruxelas é uma cidade bela, cosmopolita, histórica - como praticamente toda capital da Europa. Fizemos uma curta jornada de três horas por aqui e deu para ver o principal.

Ovelhinhas na estação de trem
La Bourse
Essa bendita Bourse foi um parto de se achar. Perguntamos para várias pessoas como chegar ao centro, todos nos diziam que era preciso ir à La Bourse, mas não sabíamos o que diabos ela era: uma estação de metrô? Uma linha de ônibus? Um pássaro, um avião?

Acabamos descobrindo super por acaso, quando nos aproximamos da barraquinha (visível na foto) para pegar um mapa. Era um museu, meu deus do céu! 

Muitos edifícios de Bruxelas têm de decoração suntuosas, várias esculturas e detalhes minuciosos, como no teto da Bourse. É muito bonito.

Escargots

Se no Brasil temos barraquinhas de pastel, na Bélgica temos... barraquinhas de escargot! Detalhe que eu nunca vi isso na França, e nem sei se escargot é um prato popular assim. Ainda não tive coragem de experimentar.

Friterie
O tiozinho das fritas e os molhos lá de dentro
As fritas são uma das paixões nacionais, encontramos friteries em cada esquina. E nada de fritas congeladas: elas são feitas ao natural, cortadas e fritas na hora. É gostoso demais. ♥

E não é que aqui também temos churros?
Os churros daqui, pelo que o Edu me falou, não são muito bons: eles não têm recheio nem nada. Mas gente, que pecado seria comer churros em vez de wafels, né.

Nosso wafel

Algumas fotos do centro histórico:




Detalhes em dourado
Hôtel de Ville de Bruxelas

Detalhe para todas essas esculturas, tão minuciosas, presentes aos montes. É assustador imaginar o tanto de tempo que se levou para completar um edifício como este.


E olhem só, um museu do chocolate!



Porque é preciso ter um museu dedicado a uma das grandes paixões nacionais! Mas não entramos porque já tínhamos gastado todo o nosso dinheiro com fritas, wafels e chocolate.

Ficamos sabendo que em Bruges também tem um museu de fritas, mas esquecemos de visitá-lo.

E aqui temos o Manneken Pis, o "grande" símbolo da Bélgica.

Só que ele não é grande: 30 cm. E ele fica todo escondido, num cantinho de uma rua não tão central assim. Super modesto, esse símbolo nacional.

Mas ainda sou apaixonada por ele. A graça nesse bichinho está em vesti-lo do que a imaginação permitir. Seria este mais um esporte nacional belga?



Bélgica: peculiaridades

Aqui, as pessoas não roubam bicicletas


Ou então elas são muito ingênuas. Praticamente ninguém usa correntes para prender a bicicleta, eles usam uma chave para travá-la, no mesmo estilo de um carro: para andar, você tem que deixar a chave no "painel", abaixo da sela da bicicleta, e a retira quando a estaciona, o que tranca a sua roda traseira. E eles não as prendem com uma corrente, simplesmente largam-na em algum canto.

O "painel de controle" da bicicleta: nada de correntes.


No Norte da França, isso seria impensável: as bicicletas que alugamos têm duas travas: o "painel de controle" mais a corrente. Em Brugges, quando fomos alugá-las, pedi uma corrente, mas eles não tinham. Fiquei morrendo de preocupação com as bicicletas, mas acabamos percebendo que quase todas são deixadas assim. E, no fim do dia, quando voltamos para buscá-las, elas ainda estavam lá. Ufa.


A Bélgica tem quatro línguas, só que às vezes só tem uma


Oficialmente, temos o holandês, o francês e o alemão. E ainda tem o flamengo, uma espécie de variante do holandês.

Na verdade, Bruges fica tão perto
da Holanda quanto da França.
Mas nada de francês. :(
Aí pensei "legal, vamos nos virar tranquilamente por lá com o francês e, de quebra, com o alemão". Certo?

Errado. É verdade que na capital, Bruxelas, praticamente todo mundo fala francês, nem parece um outro país. Mas em Bruges, que fica mais próximo da Holanda, fica impossível achar francês, praticamente tudo está escrito em flamengo/holandês. 

Gente, percebi que foi a primeira vez em que visitei um lugar em que eu não falava a língua! Eu já estive nos Estados Unidos, na Alemanha e na França, estava acostumada a entender tudo o que está escrito nas placas, entender o que as pessoas falam... mas flamengo é incompreensível! Me deu uma agonia, socorro.

Só que, graças aos céus, todo mundo, praticamente sem exceção (ao menos em Bruges, que é muito turística), fala inglês. Fica mais fácil encontrar gente que fala inglês do que gente que fala francês.

A gloriosa exceção fica nas estações de trem. Apesar de tudo ser anunciado em flamengo, ao menos algumas poucas placas estão escritas também em francês. Pelo menos, dá para entender qual trem pegar.

Toestel buiten dienst? Dank U!

Mas é verdade que eles ficam super faceiros se você demonstra interesse na língua deles. Eu perguntei a duas pessoas de lojas diferentes como se diz qualquer coisa em flamengo e as perguntas foram recebidas abertamente com um sorriso. Aprendi a dizer "obrigada" (dank U) e "bom dia" (goeiendag).

Preciso dizer que o flamengo é l-i-n-d-o e hipnotizante. Ele já está incluído na minha lista de línguas a aprender algum dia.

As estações de trem são escondidas


Gente, eles não sinalizam as estações de trem! Quase morremos afobados para achar a estação de trem em Bruxelas, na volta: por dez minutos, quase perdemos o trem, e nada de encontrar a estação.

Aí encontramos um edifício grande, com trilhos de trem perto e com quatro pilares de cores diferentes e descobrimos se tratar da estação de trem. Mas nada de Gare ou Train Station ou Treinstation ou qualquer coisa que o valha escrito na frente. Simplesmente pilares coloridos.

A estação de Bruges ainda é bem sinalizada:
a de Bruxelas não tinha n-a-d-a escrito, só os pilares.
Ao passarmos por outras estações, percebemos que os quatro pilares (ou, às vezes, quatro bandeiras suspensas) estão lá para sinalizar estações de trem. É um código secreto que só belgas podem entender. Provavelmente deve ser o esporte preferido dos belgas que trabalham nas estações de trem: apostar quantos turistas perdem o trem por dia.

É sempre divertido sair e explorar um outro país. Mesmo tão perto, os países daqui são tão diferentes, têm identidades completamente distintas. E aí mesmo uma brasileira e um francês, gente que mora a 10 km da Bélgica, podem acabar completamente perdidos por aqui. A gente se diverte com essas aventuras. 

Bélgica: paixões nacionais



Os belgas adoram comer e beber. Estivemos lá há dois dias e praticamente tudo o que fizemos foi comer (já que não bebemos). Uma dica: vá para a Bélgica com fome e sem estar de regime.

Quais são as paixões nacionais dos belgas?

Cerveja


Eu não gosto nem bebo cerveja, mas é fato consumado que os belgas são um dos melhores, quando se fala em produção de cerveja. E eles têm muito orgulho de ostentar este título, diga-se de passagem.

"Economize água: beba cerveja belga"

Batatas Fritas


Ah, as fritas belgas... só de lembrar, suspiro de saudade. Se você ainda não comeu fritas belgas, você não sabe o que são fritas de verdade. 

O Edu é viciado por fritas - vale lembrar que os nortenhos da França também são maravilhosos na produção de fritas - e eu segui a onda: comemos fritas de café da manhã, almoçamos fritas, jantamos fritas. E ainda comeríamos mais, se nossos estômagos permitissem.

As fritas de lá são normalmente vendidas num cone, e sempre com algum molho especial. Eles têm uma seleção gigantesca de milhares de molhos, não é muito fácil de decidir.

As primeiras fritas que comemos foram com a sauce Brésil (sim, "molho Brasil"): uma mistura de curry, maionese e um leve sabor de manga. Pode parecer estranho, mas é uma delícia.

Menina feliz na frente de uma friterie, segurando seu modesto cone de fritas.

Wafels


Os wafels belgas são coisa de outro mundo. Aqui no Norte da França, estamos acostumados a comer waffels (que chamamos de gaufres), mas não do jeito que eles comem. Aqui, a gente praticamente não vê o Wafel, tanta que é a cobertura.

Os wafels daqui me surpreenderam: a mistura do chantilly com o chocolate meio-amargo belga e frutas é simplesmente divina. Quase morri de comer um desses.

Aqui, a variedade de coberturas ainda é pequena.

Mais exemplos de Wafels.

Chocolate


Como ir para a Bélgica e não falar de chocolate? 

Sim, e verdade: o chocolate daqui é divino. Não é barato, mas vale o que pesa.

E tem chocolates para todos os gostos, de todas as formas, sabores e tipos possíveis. O que não falta por lá é loja de chocolate.

Vitrine de uma chocolateria: cisnes, ovelhas e ferramentas de chocolate.
Os chocolates com uma colher fincada são para misturar no leite fervendo e fazer chocolate quente.

Boa parte das lojas de lá também são uma espécie de buffet de bombons. Você vai lá, escolhe os bombons que quer das dezenas/centenas de escolhas possíveis, e monta a sua própria caixa de bombons. São muitas as escolhas possíveis, é virtualmente impossível querer degustar um de cada bombom.

Leonidas, uma das melhores chocolaterias daqui.

Minha modesta seleção de chocolates

Além dessas paixões, a Bélgica ainda merece destaque em muitas áreas diferentes, como as histórias em quadrinhos e a arte em geral.

O Tintin é belga, bem como várias outras
personagens de histórias em quadrinhos.

A Bélgica é um país que realmente merece destaque: tantas maravilhas em uma terra tão pequena. Fico feliz de estar tão perto de um lugar tão lindo.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Uma residência francesa


As casas daqui são bastante diferentes do que as casas/apartamentos que conhecemos no Brasil.

Para começar, precisamos entrar com uma chave magnética. Não há chave "normal" para a porta de fora, apenas para as portas de dentro.

Os apartamentos daqui são bastante peculiares. O do Edu era originalmente uma casa que foi dividida em três, para que três pessoas possam os locar. Mas eles não são pequenos demais, são perfeitos para 1-2 pessoas.

No mais, é tudo aconchegante. E diferente.

As janelas, por exemplo, podem abrir em dois sentidos diferentes, dependendo de como você gira a "maçaneta":

Fechadas
Super abertas
Abertas um pouco
O fogão não é um fogão, é uma placa elétrica. Ele não solta fogo e nem tem um forno embaixo. É um tanto... desafiador cozinhar com ele.

Ele até que engana bem

Mas a cozinha daqui é a coisa mais fofa que eu já vi no mundo.

(a foto foi tirada antes dele se mudar pra cá)
O teclado francês merecia um capítulo à parte. Enquanto nós no Brasil utilizamos o 'QWERTY', aqui eles usam o "AZERTY". Vocês não imaginam o tamanho do caos que meia-dúzia de teclas trocadas fazem no cérebro de um brasileiro:

Ol^q q todos; ?eu no,e ê Qnq1
Sim, eu digitei essa linda legenda querendo dizer "Olá a todos. Meu nome é Ana!" em um teclado brasileiro. Sério, é demais para uma pobre mente brasileira (Por sinal, este não é um teclado francês, e sim belga. Mas eles são quase iguais).

Também merece destaque o porta-toalhas daqui, que é ao mesmo tempo um aquecedor. Você sai do banho, a toalha está molhada, você o coloca lá. Em uma hora, está tudo sequinho. Que ideia genial! Precisávamos adotá-la.

Sem contar que cabem inúmeras toalhas aqui!
Acho muito legal de ver como mesmo os menores detalhes influem na diferença de estilo de vida. É tudo muito diferente, muito peculiar por aqui, e é muito divertido descobrir esses detalhes - é quase como um jogo dos sete erros, só que na vida real.

Fazenda de avestruzes

Cuma?

Sim, fomos visitar uma fazenda de avestruzes!

Uma prima de segundo grau do Edu tem uma fazenda de avestruzes. É a atividade principal deles - eles vendem lembrancinhas, como ovos de avestruz decorados e pelúcias, bem como a carne e conservas de carne de avestruz. Para quem vem à região, recomendo a visita.

O Edu já tinha estudado um pouco sobre os bichinhos e me explicou algumas coisas:

  • As avestruzes são bichos que vivem em clima seco, na areia. Elas enterram os seus ovos na areia e por isso colocam as cabeças dentro do chão - para procurar os seus ovos e para comer os de outras "concorrentes". Não, avestruzes não são lá uma flor que se cheire.
  • As fêmeas são marrom, os machos são pretos e têm o bico vermelho.
  • Para acasalar, eles fazem uma dança engraçada e desengonçada, abrindo as asas e balançando o corpo de um jeito estranho, mexendo o pescoço à la dança egípcia.
I'm so sexy!
E não é que um Sr. avestruz começou a nos seguir, por detrás das grades, e dançar para nós? Foi extremamente engraçado. Que bicho mais desengonçado! Pena que não filmamos.

Para os curiosos, encontrei um vídeo que mostra a dança do bicho:


Parabéns, avestruz! Você acaba de ganhar o troféu bicho-mais-estranho-que-eu-conheço! Que coisa mais... fofa.

E não é que eu ganhei de presente um porta-moedas feito de couro de avestruz?

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